segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Mitologia Grega - As Divindades Aquáticas.




Oceano e Tétis eram os titãs que governavam os elementos líquidos. Quando Jove e seus irmãos derrotaram os titãs e assumiram seu poder, Netuno e Anfitrite sucederam-se a Oceano e Tétis no domínio das águas.

NETUNO

Netuno era a principal das divindades da água. O símbolo do seu poder era o tridente, ou lança de três pontas, que usava para abalar os rochedos, desencadear ou amainar as tempestades, sacudir as costas e outras coisas semelhantes. Criou o cavalo e era o padroeiro das corridas eqüestres. Seus próprios cavalos tinham patas de bronze e crinas de ouro. Puxavam seu carro sobre o mar, que se acalmava diante do deus, enquanto os monstros das profundidades brincavam em seu caminho.

ANFITRITE

Anfitrite era esposa de Netuno, filha de Nereu e Dóris e mãe de Tritão. Para fazer a corte a Anfitrite, Netuno cavalgava um delfim, que foi colocado pelo deus entre as estrelas, quando conquistou o amor da deusa.

NEREU E DÓRIS

Nereu e Dóris eram os pais das Nereidas, as mais celebradas das quais foram Anfitrite, Tétis, mãe de Aquiles, e Galatéia, que foi amada pelo ciclope Polifemo. Nereu distinguia-se por sua sabedoria e por seu amor pela verdade e pela justiça, pelo que era chamado sábio. Também possuía o dom da profecia.

TRITÃO E PROTEU

Tritão era filho de Netuno e Anfitrite e os poetas o apresentavam como trombeteiro de seu pai. Também Proteu era filho de Netuno. Como Nereu, era considerado um sábio do mar por sua sabedoria e conhecimento dos acontecimentos futuros. Tinha o poder peculiar de mudar à vontade sua forma.

TÉTIS

Tétis, filha de Nereu e Dóris, era tão bela que o próprio Júpiter desejou desposá-la; tendo porém sabido pelo titã Prometeu que Tétis teria um filho maior que seu pai, Júpiter desistiu da idéia e determinou que Tétis fosse esposa de um mortal. Com a ajuda do centauro Quíron, Peleu conseguiu desposar a deusa e seu filho foi o renomado Aquiles. No capítulo em que tratarmos da Guerra de Tróia veremos que Tétis foi mãe dedicada, ajudando o filho em todas as suas dificuldades e velando por todos os seus interesses.

LEUCOTÉIA E PALÊMON

Ino, filha de Cadmo e esposa de Atamas, fugindo de seu furioso marido, com o filhinho Melicertes nos braços, caiu de um rochedo no mar. Os deuses, compadecidos, transformaram-na numa deusa marinha, com o nome de Leucotéia, e ao filho em um deus, com o nome de Palêmon. Ambos tinham o poder de salvar os homens de naufrágios e eram invocados pelos marinheiros. Palêmon geralmente era representado cavalgando um golfinho. Os Jogos Ístmicos eram celebrados em sua honra. Era chamado Portuno pelos romanos, e acreditava-se que governava os portos e as costas. Milton faz alusão a essas divindades, na última canção do "Comuns":

Atende, ninfa, o ardor que me consome.
Escuta e surge, do Oceano em nome.
Peço-te, ninfa, em nome de Nereu
Taciturno e de Tétis majestosa
E em nome das malícias de Proteu.
De Tristão pela concha sinuosa,
De Glauco pelas suas profecias,
De Leucotéia pelas mãos macias etc.

Armstrong, o poeta da "Arte de Conservar a Saúde", sob a inspiração de Higéia, deusa da Saúde, assim celebra as náiades:

A caminho da fonte vinde, Náiades!
Donzelas venturosas! Vossas prendas
Exaltar e cantar cumpre-me agora
(Assim Péon ordena, assim ordenam
Da saúde os princípios poderosos)
Exaltar vossas águas cristalinas,
O regatos gentis! Em vosso seio
Vida nova se bebe, quando matam
A sede as mãos em concha e os lábios secos.

Péon é um nome pelo qual são chamados tanto Apolo como Esculápio.

AS CAMENAS

Por este nome os latinos chamavam as Musas, mas incluindo, também, outras divindades, principalmente ninfas dos montes. Egéria era uma delas, e sua fonte e sua gruta ainda são mostradas até hoje. Conta-se que Numa, segundo Rei de Roma, era favorecido por essa ninfa com encontros secretos, durante os quais ela lhe dava lições de sabedoria e direito, que foram concretizadas nas instituições da jovem nação. Depois da morte de Numa, a ninfa definhou de pesar e transformou-se numa fonte.

OS VENTOS

Quando tantas forças menos ativas da natureza eram personificadas, não é de se admirar que os ventos o fossem. Eram: o Bóreas ou Aquilão, o vento norte; Zéfiro ou Favônio, o vento oeste; Nótus ou Áuster, o vento sul, e Euro, o vento leste. Os dois primeiros principalmente têm sido celebrados pelos poetas, o Aquilão pela sua rudeza e o Zéfiro pela sua doçura. Bóreas amava a ninfa Orítia, mas não conseguiu grande êxito como amante. Era-lhe difícil respirar delicadamente e suspirar estava, para ele, fora de cogitação. Cansado de tentativas inúteis, mostrou seu verdadeiro caráter, raptando a donzela. Foram seus filhos Zetes e Calais, guerreiros alados, que acompanharam a expedição dos Argonautas e prestaram bons serviços, no encontro com as aves monstruosas, as harpias. Zéfiro era amante de Flora. Milton faz alusão aos dois no Paraíso Perdido, quando descreve Adão, desperto, contemplando Eva, ainda adormecida:

... Erguendo-se de lado,
Inclinando-se um pouco, contemplou-a:
Desperta ou adormecida, a companheira
Pela sua beleza o dominava.
E chamou-a, então, com voz suave,
Como a de Zéfiro, quando Flora chama.
Tocando-lhe de leve, diz: "Acorda,
Minha esposa gentil, do Paraíso
Dom precioso, cada vez mais belo"


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